Ester Garcia


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JORNAL HOJE DA GLOBO - 09/04/09 - 14h10 - Atualizado em 09/04/09 - 14h41
MULHERES VÍTIMAS DE ENFARTO -
Entrevistado - Dr. Marcelo Ferraz Sampaio.






Uma pesquisa feita em São Paulo mostra que a mulher morre mais de enfarto do que o homem. Os homens enfartam mais do que as mulheres, mas nelas o problema acaba se tornando mais grave.

Uma pesquisa feita em São Paulo mostra que a mulher morre mais de enfarto do que o homem. Os homens enfartam mais do que as mulheres, mas nelas o problema acaba se tornando mais grave por várias razões: na mulher, vários sintomas são atípicos e nem sempre o diagnóstico do médico é correto.

Ela está em forma, tem alimentação saudável, mas um dia, teve uma dor de estômago e não deu bola. “Achei que era um mal estar que ia passar. Achei que podia ter comido alguma coisa que não caiu bem naquele dia”, diz Maria Aparecida Ricciardi, arquiteta. Era o primeiro infarto. Aos 39 anos.

“O homem enfarta mais até 65 anos. Após 65 anos incidência cresce a ponto de estatísticas serem iguais. Mulher hoje inserida fortemente no mercado competitivo de trabalho, fuma mais, mais sedentária, mais obesa e mais estressada”, explica Marcelo Ferraz Sampaio, cardiologista.

De acordo com os dados do SUS, Sistema Único de Saúde, o que complica o diagnóstico do infarto em mulheres é que, muitas vezes, elas apresentam sintomas que não são típicos de quem está enfartando, como dor no peito e nos braços. Algumas só vão buscar ajuda médica quando o problema já está em um estágio avançado.

“Na mulher, nós temos uma alta de sintomas atípicos, como cansaço, falta de ar, palpitações, tonturas, desmaios, suores frios, palidez cutânea mucosa”, numera o cardiologista.

Uma pesquisa feita em São Paulo mostra que a cada 100 homens internados por causa de infarto, quase 12 morrem. Entre as mulheres, a taxa é maior. São 18 mortes, em média.

“Você se preocupa com a casa, com os filhos, com a família. Na correria tenta passar um batonzinho. A saúde vem sempre depois”, revela Andréia Guimarães, estudante.

Muitas vezes quem deveria dar o diagnóstico não consegue identificar o enfarto. “Os profissionais ainda não estão treinados, ainda não estão cientes que houve uma mudança de estatística e que a mulher está enfartando em idades menores. Existe, infelizmente, uma prática que não é adequada, de relacionar a dor da mulher ou com dor muscular, ou com dor de nervosismo”, afirma Marcelo Ferraz Sampaio.

Quem leva um susto aprende a respeitar os sinais do corpo. “Qualquer dor que você sinta, não poder ser desprezada, você tem que correr atrás”, aconselha Maria Aparecida Ricciardi.

O enfarto na mulher se complica pelas características físicas. As artérias do corpo feminino têm calibre menor, são mais finas.

 

 

   Dr. Ricardo Leme
   Dra. Isa Dietrich
   Dr. Leonard F. Verea
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